Relics Score: como saber se uma carta de Magic é uma relíquia, peça de coleção ou cilada?

No universo do Magic: The Gathering, é muito comum chamar de “relíquia” aquela carta especial da nossa coleção.

Pode ser uma carta que marcou nossa infância, aquela primeira carta cara que compramos ou simplesmente uma peça pela qual temos um enorme apego emocional.

E não existe nada de errado nisso.

Mas existe uma diferença importante entre “a minha relíquia” e “uma relíquia de verdade” dentro do mercado de colecionismo de Magic.

Foi justamente dessa diferença que nasceu o Relics Score, uma régua de avaliação criada para ajudar colecionadores a entender melhor o que possuem — e, principalmente, o que estão comprando.

Como surgiu o Relics Score?

Antes de criar a ferramenta, percebi que muita gente confundia aquilo que era uma relíquia pessoal com aquilo que realmente poderia ser considerado uma relíquia dentro do colecionismo high-end.

Por isso, primeiro comecei tentando explicar essa diferença através de conteúdo.

Criei uma trend nas redes sociais e marquei diversos influenciadores para que mostrassem também suas próprias relíquias.

A ideia era justamente conscientizar o maior número possível de pessoas sobre essa diferença.

Mas rapidamente surgiu uma segunda questão:

Como fazer o próprio colecionador conseguir analisar uma carta sozinho?

Foi daí que nasceu a necessidade de criar uma ferramenta.

Uma régua que ajudasse qualquer pessoa a olhar para uma carta e chegar a uma conclusão mais estruturada:

é uma relíquia, uma peça de coleção ou uma cilada?

O que transforma uma carta de Magic em uma relíquia?

Uma carta não se transforma em relíquia simplesmente porque é cara.

Também não basta ser bonita.

E nem mesmo ser rara é suficiente.

Para mim, uma verdadeira relíquia precisa combinar características como escassez, demanda, liquidez, relevância histórica e reconhecimento de mercado.

O mercado precisa confirmar que aquela carta realmente ocupa uma posição de destaque dentro do colecionismo high-end.

Foi a partir dessa ideia que criei os cinco critérios do Relics Score.

Cada um recebe uma nota de 0 a 2 pontos, permitindo chegar a uma avaliação final de até 10 pontos.

Os cinco critérios do Relics Score

avaliar cartas de mtg 5 criterios

1. Hierarquia

Existe alguma versão claramente superior a essa?

Uma das primeiras coisas que um colecionador precisa entender é que uma mesma carta pode possuir dezenas de versões.

Foil, borderless, showcase, promo, Judge, Masterpiece, edição original, versões antigas, impressões em outros idiomas e diversas outras possibilidades.

A hierarquia tenta entender onde aquela impressão está posicionada dentro desse universo.

Se existe uma versão claramente mais desejada, mais rara ou mais importante, isso naturalmente afeta o peso daquela peça.

2. Identidade

Ela tem algo visual que a torna inesquecível?

Uma verdadeira peça de coleção costuma possuir uma identidade própria.

Pode ser uma arte icônica, um tratamento específico, uma moldura histórica ou alguma característica visual imediatamente reconhecível pelos colecionadores.

Mas identidade visual, sozinha, não faz uma relíquia.

Esse é justamente um dos pontos em que muitos compradores se confundem.

3. Escassez

A oferta realmente limita o acesso?

Ser diferente não significa necessariamente ser raro.

Para o Relics Score, o importante é entender se existe uma limitação real de oferta.

Quanto mais difícil é colocar novas cópias daquela versão no mercado, maior tende a ser sua força como peça colecionável.

E aqui existe outra diferença importante:

raridade sem demanda continua sendo apenas raridade.

4. História e procedência

A história da carta ou a procedência daquela cópia adicionam relevância real?

Algumas cartas carregam um peso que vai muito além da impressão em si.

Pode ser uma edição historicamente relevante, uma impressão emblemática dentro do Magic ou até uma determinada cópia com uma procedência especial.

Entram aqui também peças assinadas pelo artista, alteradas, Artist Proofs com sketch ou exemplares que carregam alguma intervenção, dedicatória ou história capaz de tornar aquela cópia única ou especialmente desejável para colecionadores.

Mas esse tipo de característica não gera valor automaticamente. O ponto é entender se aquela assinatura, alteração, sketch ou procedência realmente adiciona relevância, exclusividade ou história à peça.

Esse contexto ajuda a separar cartas simplesmente caras de objetos que carregam um peso real dentro do colecionismo.

5. Demanda

Existe demanda real e mercado capaz de sustentar essa peça?

Esse é um dos critérios mais importantes do Relics Score.

Uma carta pode ser extremamente rara, bonita e cara.

Mas se praticamente ninguém está interessado em comprá-la, ela se aproxima muito mais de uma peça de coleção do que de uma verdadeira relíquia.

Uma relíquia precisa ser reconhecida pelo mercado.

De nada adianta existir um preço enorme no anúncio se não existe comprador disposto a pagar.

Cilada, peça de coleção ou relíquia?

Depois de avaliar os cinco critérios, o Relics Score chega a três possíveis classificações.

Cilada: de 0 a 4 pontos

O nome pode parecer pesado, mas existe uma distinção muito importante:

uma cilada não é necessariamente uma compra ruim.

Uma carta pode receber essa classificação e ainda assim ser exatamente aquilo que determinado colecionador deseja.

Talvez a pessoa ame aquela arte.

Talvez queira completar um deck temático.

Talvez exista uma conexão emocional com aquela versão.

Tudo isso é válido.

O problema começa quando alguém compra uma carta acreditando estar adquirindo uma grande peça high-end quando, pelos critérios utilizados, ela não possui essas características.

O Relics Score não tenta impedir alguém de comprar.

Ele tenta impedir alguém de comprar errado.

Peça de coleção: a partir de 5 pontos

Aqui encontramos cartas com características relevantes para colecionadores, mas que ainda não atingem todos os elementos necessários para serem consideradas verdadeiras relíquias.

Elas podem ser raras, bonitas, históricas ou especiais.

E podem perfeitamente ocupar um lugar importante dentro de uma coleção.

Relíquia: de 8 a 10 pontos, com Demanda máxima

Para alcançar a classificação de Relíquia, não basta simplesmente somar muitos pontos.

A carta também precisa receber nota máxima no critério Demanda.

Essa trava existe por um motivo simples:

uma relíquia precisa ser reconhecida pelo mercado.

Se não existem compradores, liquidez e demanda sustentando aquela peça, não faz sentido classificá-la da mesma forma que uma carta realmente desejada pelo mercado high-end.

Carta cara não é sinônimo de relíquia

Esse talvez seja um dos conceitos mais importantes de todo o Relics Score.

O preço sozinho diz muito menos do que parece.

Uma carta pode custar milhares de reais e ainda não ser uma relíquia.

Da mesma forma, determinadas cartas que visualmente parecem simples podem possuir enorme relevância no colecionismo.

Muitas Old Frame Foils, cartas da Reserved List e até mesmo determinados terrenos básicos podem ser verdadeiras relíquias.

Enquanto isso, diversas cartas modernas extremamente chamativas podem não passar pelo mesmo teste.

Existem VIPs, Mystical Archives, borderless e inúmeras versões com tratamentos visuais incríveis que parecem imediatamente peças high-end.

Algumas realmente são.

Outras são apenas cartas bonitas.

O maior erro de quem começa no Magic high-end

Na minha opinião, um dos erros mais comuns de quem está começando no high-end é simples:

comprar carta apenas porque ela é bonita.

Magic vive uma era com uma quantidade enorme de tratamentos especiais.

Showcase.

Borderless.

Foils diferentes.

Artes alternativas.

Secret Lairs.

Versões promocionais.

Tudo isso aumenta muito a quantidade de opções disponíveis para o colecionador.

O problema é que um tratamento visual especial pode criar a sensação de exclusividade sem necessariamente existir uma escassez real ou uma demanda forte por aquela versão.

Beleza pode gerar desejo.

Mas beleza, sozinha, não transforma uma carta em relíquia.

O Relics Score não serve para dizer o que você deve gostar

Essa talvez seja uma das interpretações mais importantes da ferramenta.

O objetivo do Relics Score não é transformar colecionismo em matemática.

Muito menos dizer que você deveria gostar apenas das cartas com notas mais altas.

Colecionar continua sendo algo profundamente pessoal.

O papel da ferramenta é outro:

ajudar você a entender exatamente o que está comprando.

Se você quer comprar uma carta classificada como cilada porque acha aquela arte maravilhosa, perfeito.

Se quer uma peça de coleção porque ela combina com o seu deck, também.

O problema é comprar uma carta pensando que está levando uma grande relíquia do mercado quando, na prática, ela não possui os elementos necessários para isso.

Quando existe informação, a decisão passa a ser consciente.

Ferramenta pra aprender a escolher versões de Magic

relics score - como funciona

O objetivo principal do Relics Score é educacional.

Ele não foi criado para simplesmente devolver uma nota.

O mais importante é fazer o colecionador entender por que aquela nota apareceu.

Ao avaliar repetidamente os cinco critérios — Hierarquia, Identidade, Escassez, História e Procedência, e Demanda —, o colecionador começa naturalmente a enxergar as diferentes versões das cartas de outra maneira.

Com o tempo, a pergunta deixa de ser apenas:

“Essa carta é bonita?”

E passa a ser:

“Existe uma versão melhor?”

“Essa impressão realmente é escassa?”

“Existe demanda por ela?”

“O mercado reconhece essa versão?”

“Ela possui relevância histórica?”

Esse tipo de raciocínio pode mudar completamente a maneira como uma coleção é construída.

Menos cartas e escolhas melhores

Quem busca construir uma coleção realmente diferenciada começa a enxergar as cartas com outros olhos.

Em vez de simplesmente acumular versões premium, passa a entender melhor a posição de cada uma dentro do mercado.

Isso pode significar escolher menos cartas.

Mas escolher melhor.

Pode também ajudar na hora de decidir qual versão comprar, qual manter e até qual vender.

A proposta não é dizer ao colecionador o que fazer.

É entregar mais informação para que ele tome essas decisões com consciência.

O Relics Score é uma verdade absoluta?

Não.

Na vida, praticamente nada é definitivo.

O Relics Score é uma régua que criei com base na minha experiência, observação do mercado high-end e nos elementos que considero mais importantes para identificar uma relíquia.

Mas ela pode evoluir.

Feedback da comunidade, mudanças de mercado e casos reais que desafiem a lógica atual podem levar a ajustes futuros.

Uma boa ferramenta de avaliação precisa ser capaz de evoluir junto com o próprio mercado que pretende analisar.

O Relics Score também está disponível em inglês

Embora o projeto tenha nascido no Brasil, os critérios não dependem do mercado brasileiro.

Colecionadores de outros países enfrentam exatamente as mesmas dúvidas ao tentar diferenciar versões, entender escassez e avaliar a força de determinada peça dentro do mercado.

Por isso, o Relics Score também possui uma versão em inglês.

A ideia é que a mesma metodologia possa ser utilizada por colecionadores independentemente do país.

Afinal, para que serve o Relics Score?

Em uma frase:

o Relics Score serve para avaliar uma carta e entender se ela é uma relíquia, uma peça de coleção ou uma cilada.

Mas existe um objetivo maior por trás disso.

Quero que quem utilize a ferramenta passe a entender melhor as diferenças entre as inúmeras versões das cartas de Magic.

Que consiga tomar decisões melhores sobre o que comprar.

Sobre o que manter.

E também sobre o que vender.

No final das contas, colecionar melhor não significa necessariamente gastar mais dinheiro.

Significa entender melhor aquilo que você está colocando dentro da sua coleção.


Coloque suas cartas à prova: avalie qualquer carta da sua coleção agora mesmo no Relics Score, disponível em português e inglês.

E se alguma peça sua alcançar a classificação de Relíquia, marca o @mtgrelics no Instagram mostrando a nota. Quero ver quais relíquias estão espalhadas por aí.

Perguntas frequentes sobre o Relics Score

O que é o Relics Score?

É uma régua de avaliação que analisa cartas de Magic: The Gathering em cinco critérios — Hierarquia, Identidade, Escassez, História e Procedência, e Demanda — e classifica cada peça como relíquia, peça de coleção ou cilada. A ferramenta está disponível em mtgrelics.com/score.

Toda carta cara de Magic é uma relíquia?

Não. Preço alto, sozinho, não garante escassez real nem demanda sustentada pelo mercado. Uma carta pode custar milhares de reais e ainda assim não reunir os elementos que o colecionismo high-end reconhece em uma verdadeira relíquia.

Carta de Magic assinada pelo artista vale mais?

Depende. Assinaturas, alterações, dedicatórias e Artist Proofs entram no critério de História e Procedência, mas não geram valor automaticamente: o que importa é se aquela intervenção realmente adiciona relevância, exclusividade ou história à peça.

Qual a diferença entre peça de coleção e relíquia?

Peça de coleção é a carta que soma a partir de 5 pontos e reúne características relevantes para colecionadores. Relíquia exige de 8 a 10 pontos com nota máxima em Demanda — ou seja, reconhecimento real do mercado, com compradores e liquidez sustentando a peça.

O Relics Score funciona fora do Brasil?

Sim. Os critérios não dependem do mercado brasileiro, e a ferramenta possui versão em inglês em mtgrelics.com/score/en.

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