Gaboleps já ilustrou mais de 100 cartas de Magic: The Gathering. Mas quando perguntei qual delas poderia ser considerada a sua própria relíquia, a resposta não teve nada a ver com preço, raridade ou valor de mercado.
A carta escolhida foi Faceless One.
E a explicação dele diz muito sobre o que pode transformar uma carta de Magic em algo maior do que simplesmente uma peça de jogo ou um item valioso.
Quem é Gaboleps?
Gaboleps é um artista brasileiro que trabalha com Magic: The Gathering e já teve sua arte estampada em mais de uma centena de cartas do jogo.
Seu trabalho possui um estilo bastante reconhecível, mas durante nossa conversa ficou claro que, para ele, a importância de uma ilustração vai muito além do resultado visual.
Existe todo um processo de transformar sentimentos e ideias em algo que outras pessoas possam enxergar — e, eventualmente, sentir também.
Foi justamente isso que apareceu quando perguntei qual de suas próprias cartas ele considerava uma relíquia.
Faceless One: a relíquia de Gaboleps
Entre tantas cartas ilustradas ao longo de sua carreira, Gaboleps escolheu Faceless One.
O interessante é que a escolha não partiu de uma análise sobre qual carta vale mais dinheiro ou qual se tornou mais desejada pelos colecionadores.
Ela nasceu da relação do artista com a própria criação.
Ficha da carta

- Carta: Faceless One
- Coleção: Commander Legends: Battle for Baldur’s Gate (CLB) — carta #1
- Tipo: Legendary Enchantment Creature — Background
- Custo: 5 · P/T: 3/3 · Raridade: Comum
- Ilustração: Gaboleps
Repare no detalhe: a relíquia pessoal do artista é uma carta comum. E, ainda assim, é a número 1 da coleção.
Durante a conversa, Gaboleps explicou como uma emoção pode primeiro se transformar em linguagem e, depois, essa linguagem ser convertida em uma imagem.
É quase um caminho:
emoção → linguagem → imagem → emoção novamente.
O artista sente alguma coisa, tenta expressar aquilo visualmente e entrega sua obra ao mundo. Do outro lado, alguém observa aquela imagem, interpreta e sente algo a partir dela.
Quando essa conexão acontece, o ciclo se completa.
O verdadeiro valor da arte em Magic: The Gathering
Quem acompanha o mercado de Magic está acostumado a avaliar cartas por critérios como raridade, escassez, demanda e preço.
E esses fatores são extremamente importantes quando estamos falando de colecionismo e mercado.
Mas existe outra camada.
Uma carta de Magic também é uma pequena obra de arte.
Dentro daquele pedaço de papel existe o trabalho de um artista que recebeu um conceito, interpretou uma ideia e precisou transformá-la em uma imagem capaz de fazer sentido dentro de um universo que milhões de jogadores conhecem.
Quando ouvimos o próprio ilustrador explicar o processo por trás da obra, começamos a enxergar a carta de outra maneira.
Ela deixa de ser apenas:
“Quanto essa carta vale?”
E passa também a provocar outra pergunta:
“O que essa arte significa?”
Uma relíquia nem sempre precisa ser a carta mais cara
No MTG Relics, costumo separar duas ideias.
Existe aquilo que podemos chamar de uma relíquia reconhecida pelo mercado: uma carta cuja combinação de escassez, demanda e força do mercado faz com que ela ocupe um lugar especial dentro do colecionismo — como acontece com as cartas da Reserved List.
Mas existe também a minha relíquia.
Essa é pessoal.
Pode ser uma carta extremamente cara, um Artist Proof, uma carta assinada, uma peça única ou até uma carta que praticamente não possui valor financeiro.
O que importa é o significado que ela possui para aquela pessoa.
A escolha de Faceless One por Gaboleps representa perfeitamente essa segunda categoria.
Entre mais de 100 ilustrações, existe uma obra capaz de carregar um significado especial para quem a criou.
E dinheiro nenhum consegue explicar completamente isso.
Por que conhecer os artistas muda a forma de colecionar Magic
Quanto mais contato tenho com os artistas de Magic, mais percebo que conhecer a história por trás das cartas muda completamente a experiência de colecionar.
Uma assinatura deixa de ser simplesmente tinta sobre uma carta.
Um Artist Proof deixa de ser apenas uma versão rara com o verso branco.
E uma ilustração que você já viu dezenas de vezes pode ganhar outro significado depois de ouvir diretamente do artista o que existia por trás dela.
Talvez seja justamente isso que torne o colecionismo tão interessante.
Nós não colecionamos apenas objetos.
Colecionamos histórias, momentos, artistas, experiências e emoções.
Qual é a sua relíquia?
A conversa com Gaboleps reforçou algo em que acredito cada vez mais:
nem toda relíquia precisa ser definida pelo preço.
O mercado pode dizer quais cartas são raras, desejadas ou extremamente valiosas.
Mas algumas das peças mais importantes de uma coleção só podem ser explicadas pelo próprio dono.
E talvez seja exatamente isso que faça delas verdadeiras relíquias.
Agora quero saber: qual carta de Magic você considera a sua relíquia — aquela que você não venderia por dinheiro nenhum?
O MTG Relics explora o universo das cartas high-end de Magic: The Gathering, cartas assinadas, Artist Proofs, Reserved List, arte, autenticidade e as histórias que transformam uma carta em uma verdadeira relíquia.